PLANO DE DEUS OU PROPÓSITO DIVINO

Todos nós já ouvimos alguém pregar ou algum profeta de plantão dizer: “Deus tem um plano em sua vida”. Isto porque o ser humano possui em si um espírito prognosticador-advinhador. Sim! Este é o espírito por trás desta expressão tão peculiar no meio evangélico. Na verdade, não aprendemos andar de fé em fé e de glória em glória, como diz a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Não sabemos caminhar somente com a certeza do coração que, confiantemente, diz: “tu estás comigo”.

Portanto, “Plano de Deus” é um mapa escrito e desenhado no qual passamos toda a vida ouvindo sobre ele, tentando se encaixar nele, mas que nunca temos acesso a ele. E, por conta disso, cada coisa que não se encaixa no que entendemos ou discernimos, explicamos (?) com uma simples declaração: “Foi o Plano de Deus”.

Isto me faz senitr como uma peça de xadrez, onde o jogador me manipula ao seu bel prazer somente com o intuito de ganhar o jogo. Ou seja: neste caso, eu não passo de uma peça, como tantas outras no tabuleiro, criadas com um único objetivo: ser manipulada por um jogador.

Não consigo ver Deus desta forma! Por isso o tal “Plano de Deus” tem produzido neuroses e paranóias em gente boa de Deus, desejosa de fazer sua vontade, mas, que, por conta deste plano não revelado, vive em crise constante com Deus e com a vida.

Gente que deixa de caminhar por não saber qual o próximo passo a dar. Gente que recusa-se a continuar no caminho sem saber o que lhe espera na estrada. Gente temerosa quanto as surpresas da caminhada. Gente sem fé e sem esperança. Gente que por conta de um futuro desconhecido deixa de viver um presente bem conhecido.

Penso que o único “Plano de Deus” de que posso identificar de maneira aberta e explícita nas Escrituras é o plano de salvação do homem em Cristo Jesus. Plano arquitetado e executado na eternidade deste antes da fundação do mundo e concretizado na história a mais de dois mil anos atrás. Deus planejou e executou. Ponto final.

A parir daí enxergo o agir de Deus na história pelas lentes de um propósito eterno que se revela multiformemente na vida e existência de cada um de nós com aspectos pessoais, circunstanciais, temporários, culturais e geográficos. De modo que minha caminhada com Deus vai se revelando no Caminho. Sem predições nem coisas do gênero. Pois se já sei o que me aguarda nos mínimos detalhes nesta caminhada, ela não pode ser chamada de uma caminhada de fé; no mínimo de interesses. Caminhada de fé é possuir uma única certeza neste Caminho: “Ele está comigo”. Nada mais além disso é preciso para uma caminhada de fé. E, é nesta caminhada que nos conhecemos, ao ponto que nos tornamos conhecidos pelo fato de conhecermos e descobrirmos pela experiência o futuro que nos aguarda. Um futuro que se revela como presente; não como futuro. Pois, nesta caminhada “o futuro pertence a Deus”; “basta a cada dia o seu mal”.

Esta é a agonia da alma humana. Esta é a maior dificuldade na caminhada cristã. Por isso, ao insistirmos com um misterioso “Plano de Deus”, além de produzirmos neuroses espirituais-psicológicas-existenciais, revelamos as características pagãs ainda existentes em nós. Pois é só no paganismo que a prática de se revelar, prognosticar e predizer o futuro tem sua primazia. No cristianismo não. Deus revela quando necessário a fim de cumprir seu propósito. Mesmo assim, Ele revela o propósito; não os passos na caminhada, como no exemplo de Abraão: “Sai-te da tua terra, e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”.

Caminhada é experiência! Experiência não se revela, se experimenta. O Evangelho é um convite à experiência pessoal com Jesus no caminho; pois, Ele é O Caminho. Portanto, esqueça qualquer Plano. Viva intensamente a cada dia e a cada passo no Caminho, com Jesus, os propósitos divinos.

Adriano Moreira

O TODO-PODEROSO

Quem ainda não assistiu o filme “O Todo-Poderoso”, com Jim Carrey, estreado em 2003? Para mim, além de ser cômico, é um filme profundamente teológico. Teológico? Você deve estar me perguntado. Sim! Quando vi o filme lembrei-me de imediato das palavras de Jesus quando disse que “se estes se calarem, as próprias pedras clamarão”. E, é claro que Jesus não estava referindo-se a nenhuma produção cinematográfica de efeitos especiais, como em “Senhor dos Anéis”, onde coisas inanimadas falam e andam. O que Ele estava dizendo é que, de onde não esperaríamos que viessem mensagens significativas, ou vozes proféticas, obteríamos  verdadeiras mensagens divinas. Ou seja: muita coisa e muita gente descredibilizada por muitos poderia tornar-se uma voz profética de Deus na terra. Neste filme, o teólogo temporário, Jim Carrey, nos dá algumas lições. Se não, vejamos:

A primeira lição aprendida e ensinada pelo próprio personagem é de que Deus não é a causa primária de todas as coisas. O cômico no personagem de Carrey é que ele reclama e acusa a Deus por tudo de ruim que lhe acontece; principalmente o seu insucesso profissional. E, quando Deus se manifesta a ele, ele não crê; se não depois de Deus provar ser Deus. Esta realidade, vivida pela maioria de nós, é ilárica em si mesma. Ou seja: pede-se a manifestação de Deus e, quando ele se manifesta, duvidamos dele. Isto revela que o que queremos na verdade é só reclamar; nada mais.

A segunda lição aprendida é que Deus não interfere no livre-arbítrio humano. Quando “Deus” deixa o seu poder nas mãos do reclamante para ver se ele faz melhor, deixa uma recomendação clara: a única coisa de que o “Todo-Poderoso” não poderia mexer era na liberdade humana. Daí, ele conseguir fazer o seu cachorro urinar sentado no vaso lendo jornal, mas não conseguir conquistar sua namorada de volta. Isto só foi possível fazer como homem, através da persuasão. Não foi isso que Jesus fez através da encarnação? Persuadir a humanidade de seu amor ao invés de conquistá-la?

A terceira lição está no fato de que Deus não é uma fábrica de milagres e que não pode sair dando sim a todo o mundo. Pensar num Deus que dá sim a todas as petições é pensar em um Deus irresponsável e inconsequente, como se mostra o personagem de Carrey. Quando o personagem de Carrey se vê na responsabilidade de responder todas as orações do mundo, ele resolve dar um sim para todos, a fim de não ter muito trabalho; e, como resultado causa um verdadeiro caos no mundo. Isto me ensina que não posso crer que Deus sai por aí respondendo positivamente todas as orações. Simples. Ele estaria criando muito mais problemas do que solucionando-os. A lição principal deste fato é que os milagres não são para serem realizados “aos baldes”, pois os mesmos criariam uma desordem universal, como mostra o filme. Sem falar nas questões relacionadas a distribuição injusta dos milagres. Ou seja: por que uns recebem e outros não, mesmo tratando-se de pessoas que creram, buscaram e se sacrificaram igualmente pelo recebimento do milagre?

A quarta lição está no fato de que Deus ao dar seus poderes ao personagem reclamante, está mostrando-lhe que o ser humano foi criado um ser responsável pelos seus atos. Apesar de nenhum ser humano receber poderes iguais ao do personagem de Carrey, todos nós fomos criados com liberdade responsável. Ou seja: com autoridade delegada. Isto nos revela que somos muito mais responsáveis pela trajetória de nossas vidas do que o próprio Deus ou a própria natureza. O que Deus deseja é que o homem encare a vida com mais responsabilidade; deixando de lado a síndrome adâmica da transferência de responsabilidade. Ao invés de ficarmos sempre culpabilizando alguém por tudo na vida (de bom ou de ruim) deveríamos encará-la com mais responsabilidade.

Se não conseguirmos ouvir a voz das pedras que clamam, como poderemos discernir a voz de Deus?

Adriano Moreira

O SILÊNCIO DE DEUS

Quanto mais se diz que conhece a Deus, menos sábio se é. Este é o mal da maioria dos religiosos. Esta é a realidade de quase todo evangélico. Estuda-se teologia, faz-se Ciência das Religiões, conclui-se o mestrado, gradua-se em Ph.D. ou D.D., mas, cada vez menos se sabe de Deus. Isto se dá pela presunção de se achar que esta viagem de graduações, estudos sobre Deus e experiências de igreja sejam credenciais para se conhecer Deus.

Daí a facilidade de alguém, sem estas pretensões – na maioria não evangélica ou até cética –, terem as percepções que os religiosos sabedores de Deus não as têm.

Sim! É mais fácil ouvir uma verdade de Deus por lábios não religiosos do que por bocas de muitos “profetas”. Por esta razão, eu vivo atento as vozes que soam dos quatro ventos; e, não somente as que soam dos templos. Assim faço estribado nas palavras de Jesus quando disse que “… se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc 19.40).

Foi nesta percepção de vozes perceptivas a imperceptível presença de Deus que encontrei nas páginas da Veja de 9 de Setembro de 2009 as palavras de Manoel Carlos citando as frases de um livro, cujo título é o mesmo deste artigo: O Silêncio de Deus. Eis o trecho das palavras de Manoel Carlos e das citações do livro:

“Nós que tanto proclamamos a existência ou a inexistência de Deus e do divino, sentimos de repente, a folhear essas páginas (do referido livro), que Deus fala ao não falar. Que ele se manifesta e se faz visível ao ocultar-se. Que é na escuridão que Ele brilha e ilumina. Recolho nele (o referido livro), para meus possíveis leitores, algumas reflexões enriquecedoras sobre o silêncio de Deus, todas elas de Julien Green (1900-1998)”.

O PERFIL DO CRENTE NO PROCESSO RESTAURADOR

“Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.” (Ez 37.5)

Pr. Adriano Moreira, Th.M.

Tive o privilégio de pregar em duas ocasiões sobre este tema. Uma delas no congresso da Monapoiort em Marataízes, estado do Espírito Santo. Apesar da divisa do tema encontrar-se em Lm 5.21, fui profundamente seduzido pelo texto de Ezequiel como texto básico de minhas reflexões e pregação. Isto sem mencionar que este texto é riquíssimo no que tange ao assunto de avivamento, renovação e restauração. Abaixo compartilho o que pude pinçar neste texto sobre a temática supracitada:

Ezequiel profetiza no capítulo anterior a restauração físico-espiritual de Israel que se encontrava em cativeiro babilônico, sem nenhuma esperança de retorno a sua terra. Esta restauração histórico-escatológica de natureza plena e total é profetizada no capítulo 36 e simbolizada em visão a Ezequiel neste capítulo como um vale de ossos sequíssimos. Isto para mostrar, em significado, o estado, humanamente falando, irreversível de Israel e o poder criador-restaurador de Deus de reverter o irreversível.

Tendo como fundo o caráter histórico desta profecia, quero ater-me ao aspecto escatológico dela, que nos arremete ao novo Israel de Deus, segundo a revelação do Novo Testamento. Portanto, esta profecia fala-nos do processo restaurador da Igreja que, a semelhança de Israel, se degradou, mas que experimenta histórica e espiritualmente um processo de restauração. O que preciso entender neste processo restaurador?

            Antes de qualquer coisa é preciso entender o que é um processo. Um processo é um sistema, um decurso, um conjunto de ações relativas a um propósito. É uma série de fenômenos que se sucedem e são ligados entre si. Faz-se necessário saber e entender isso para que não se ponha “os carros na frente dos bois”. Ou seja: todo o processo é metódico, paulatino gradativo; portanto, demorado.

            Outro fator importante é saber quais são os elementos fundamentais no processo restaurador. O texto nos apresenta três elementos indispensáveis quando se trata de restauração ou reavivamento. Primeiro Deus, que é a fonte e origem de tudo. Isto está claro nos versos 1 e 5. Sem Deus nada é ou será (1 Co 8.6; Cl 1.20). Segundo, a Palavra de Deus, como fonte inesgotável de sua revelação. Isto fica claro no verso 4. Paulo diz que o processo se dá pela renovação da mente na Palavra (Rm 12.2). Terceiro, um Profeta, como porta-voz da verdade de Deus. Isto fica evidente no verso 7. Para que haja Consciência Coletiva transformada é preciso que haja Consciência Individual transformada. Ou seja: a restauração e renovação começa com alguém, que influência alguns, que alcança muitos e atinge todos. Este é o princípio em  Ap 3.20. Deus bate à porta da igreja, mas espera que alguém abra a porta.

            Daí, também, é fundamental identificar o perfil do crente neste processo restaurador. Neste texto de Ezequiel encontro seis elementos identificador deste processo: Primeiro, uma autoconsciência do meu estado de irreversibilidade, conforme o verso 2. Deus faz Ezequiel andar no meio do vale. Isto para dar-lhe consciência do estado de Israel. Sem consciência de como  estou e quem sou, não há como me tornar o que Deus quer que eu seja. Segundo, a certeza de que só Deus é capaz de saber o meu estado em profundidade e operar o processo de reversibilidade. A sábia resposta de Exequiel é: “Senhor Jeová, tu o sabes”. É o que diz o verso 3. Todo autoconhecimento deve partir do conhecimento divino. Terceiro, a obediência irrestrita a Palavra do Senhor. Ezequiel recebe uma ordem no verso 7 e a executa na íntegra. Sem obediência a Palavra não há restauração divina em nós. A Palavra de Deus é viva e produz vida, Jo 6.63. Quarto, saber que todo processo é gradativo. No verso 6 é descrito um processo. Neste processo, alguns elementos são fundamentais: Unidade – ossos se juntando; Ordem e Posição – cada osso ao seu osso; Mobilidade – nervos; Consistência e Sustentabilidade – carne; Conteúdo e Vida – espírito; Visibilidade e Testemunho – pele. Claro que não há espaço aqui para entrar nos detalhes arquetípicos desta descrição. Por isso, deixo que o seu discernimento e imaginação tenham liberdade neste momento.

            Ainda é preciso saber que em todo processo há incômodos. No verso 7 se diz que este ajuntamento de ossos provocou um grande “reboliço”“ruídos”. Isto revela-nos que não há processos que não produzam incômodos. Nenhum processo acontece com 100% de satisfação. Sempre haverá riscos, perdas e um preço. Se não formos capazes de suportar os incômodos de um processo, nunca veremos o fim dele, Rm 8.28.

            Por último, precisamos saber que nenhum processo que não tenha o Espírito de Deus como agente, vai à frente. No verso 14 Deus diz que colocaria seu Espírito naquele exército restaurado à vida. Deus tem de ser o início e o seu Espírito a força motriz desta grande obra.

Se estas características se evidenciam em sua vida você está no processo restaurador de Deus.

 

O EVANGELHO INTEGRAL

Cerco-me das palavras de duas personalidades experientes no tema proposto para falar um pouco sobre Missão Integral.

A prática da missão integral remonta a Jesus Cristo e à igreja do primeiro século. A prática da missão integral é muito mais importante que o uso deste conceito para referir- se a ela.

O evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens. [do Pacto de Lausanne]. O paradigma da missão integral, O movimento da missão integral, ou teologia da missão integral, popularizado após o Congresso Internacional de Evangelização Mundial realizado em Lausanne, Suiça, em 1974, ganhou as ruas no Brasil somente depois que o Pacto de Lausanne foi publicado em português, dez anos após sua elaboração. Desde então a expressão missão integral ficou restrita ao debate a respeito da relação entre evangelização e responsabilidade social, e chegou aos nossos dias tão reduzido que qualquer igreja que tem uma creche acredita estar “fazendo missão integral”.

Pelo fato de missão integral se tornar um conceito atrelado a idéia e senso comum que associa missão integral com evangelização somada à ação social, com uma perspectiva reducionista, apesar de lógica, precisamos refletir  a respeito do conceito mais fundamental da teologia ou movimento da missão integral, expresso no tema central do Pacto de Lausanne, a saber, o evangelho todo para o homem todo, nos levará muito além das fronteiras definidas pela relação evangelização e responsabilidade social.

Proponho a substituição do termo missão integral por evangelho integral. Por evangelho integral quero dizer:

O evangelho como lente para leitura da vida em sua totalidade.

O evangelho aplicado a todas as dimensões do humano.

O evangelho aplicado a todas as dimensões da vida.

O evangelho aplicado a todas as dimensões das relações humanas.

O evangelho aplicado a todas as dimensões da vida em sociedade.

O evangelho como realidade que afeta todas as dimensões do universo criado.

 É urgente ampliarmos o horizonte de reflexão. O evangelho integral é a expressão que passo a usar para me referir ao desafio de sujeitar a Deus todas as dimensões da existência humana.

A expressão evangelho integral representa melhor o espírito de Lausanne e do movimento da missão integral, a saber: o evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens.

Adriano Moreira

CRISTO E A ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria.” (Ec 3. 1-4).

O que é tempo? Tempo é vida. Quem ganha tempo, ganha vida; quem perde tempo, perde vida. É um dos bens mais preciosos que o ser humano tem à sua disposição. O tempo tem características únicas que não iremos encontrar em nenhum outro momento ou lugar. Por exemplo:

1) O tempo é altamente deteriorável: envelhece a cada segundo. Ou você usa o tempo, ou ele simplesmente passa por você. O que você deixou de fazer hoje não conseguirá nunca mais recuperar amanhã. Poderá fazê-lo amanhã, mas o tempo já será outro. O de ontem, nunca mais…

2) O tempo não é estocável: não poderá economizar uma hora hoje e recuperá-lo daqui a dois ou três dias, caso viesse a necessitar de um tempo adicional.

3) O tempo é inelástico: o dia tem 24 horas, nem mais, nem menos. Não há como espichá-lo. Ele anda sempre no mesmo ritmo, não importa o nosso estado de espírito ou as nossas necessidades.

4) O tempo é um bem altamente democrático. Todos temos 24 horas por dia. O homem mais rico do planeta e o homem mais pobre da terra têm as mesmas 24 horas diárias.

O que varia é o que fazemos durante essas 24 horas: é a qualidade do tempo utilizado e a eficácia das nossas ações que fazem toda a diferença. Ou controlamos o tempo, ou ele nos controla. Ou gerenciamos os fatos, ou os fatos nos gerenciam. É um bem tão precioso quanto o ar e a água, mas as pessoas não se apercebem disso. Esbanjam o tempo como se fossem viver eternamente.

Cristo sabia da importância do tempo como fator determinante na busca de resultados. Sabia que o seu tempo para a divulgação da boa nova (evangelho) era restrito. Somente de 3 anos e meio para pregar a mensagem, arregimentar discípulos e estabelecer as bases do empreendimento multinacional da salvação de almas. Ele permaneceu em Israel, e adjacências, durante todo esse período, pois sua mensagem, inicialmente, era destinada ao povo judeu. Mas Jesus tinha também a clara percepção de que a sua mensagem não poderia jamais permanecer nos estreitos limites de uma nacionalidade e que se estenderia muito além disso.

Duas das premissas mais importantes da gerência do tempo são: 1) definir objetivos e prioridades e 2) escrever uma lista diária do que fazer, isto, é ter uma agenda das atividades que pretende executar durante o dia, iniciando sempre pelas mais importantes.
Nada indica que Cristo tivesse os objetivos e a lista diária devidamente anotados em seu bolso. Mas com certeza ele sabia sempre exatamente o que, quando e porque fazer algo,
já que sua orientação vinha diretamente de Deus.

Tempo na visão de curto, médio e longo prazo, segundo Jesus.

1) Na visão de curto prazo Jesus afirma: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanha cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6.34). Cristo está falando temporalmente no “aqui e agora”, e não no “lá e então”, em algum lugar futuro no céu. A afirmação é clara: viva o hoje, que já tem as suas próprias dificuldades. Esqueça o ontem, que já aconteceu, e o amanhã que ainda não veio. Dê a cada dia a sua atenção total, o foco de suas ações, já que só o presente constrói e reconstrói o futuro.

O que a grande maioria das pessoas não percebe é que vivemos eternamente no presente, pois o amanhã, quando chegar, será hoje. Da mesma forma como não podemos respirar novamente no dia de ontem ou antecipar a respiração do dia de amanhã – mas apenas fazê-lo agora -, a vida também só existe no presente. O problema são as recordações cristalizadas do que já ocorreu e as projeções receosas do que pode ocorrer no futuro.

Inúmeras pesquisas reiteradamente revelam que 50% dos pensamentos das pessoas são voltados para o passado, 40% para as preocupações do futuro, e apenas 10% dos pensamentos são concentrados no presente. Isso sim é que é viver fora do seu tempo! Logo, a maioria parece não ter consciência do “agora” e vive dopado na dimensão atemporal do passado e do futuro, desgastando e esvaziando a força do presente.

2) Na visão de médio prazo Cristo diz: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lc 9.62). Aqui a mensagem é de que, qualquer pessoa que abraçar a causa de Cristo e, ao mesmo tempo, ficar recordando ou sentir saudades do seu passado, não poderá usufruir plenamente da nova vida que lhe foi dada. É o passado, novamente, comprimindo e pressionando as pessoas inseguras a reconsiderarem a opção feita pelo novo. Gerenciar o tempo eficientemente é agir e pensar no “agora” sem tréguas a um passado infeliz e coercitivo. A vida é curta. Concentre os esforços no que realmente conta.

3) Na visão de longo prazo – A regra 20/80 da alta eficiência.
Oitenta por cento do nosso tempo diário são gastos em rotinas ou picuinhas, que tomam muito tempo e só rendem 20% de resultados. Por outro lado, os que sabem esgrimir com o tempo, concentram-se no que é essencial em suas vidas. Isto só toma 20% do seu dia, mas dá um retorno de 80% de ganhos.

Cabe aqui uma pergunta: “Você sabe quais são os 20% de suas atividades e tarefas do seu dia a dia que lhe dão um retorno multiplicado de 80% de ganhos? Talvez ainda não tenha descoberto. Neste caso os fatos estão administrando a sua vida, em vez de você administrar os fatos. Você está trabalhando em cima das prioridades, ou das picuinhas da vida, que lhe dão a impressão de estar vivendo intensamente, mas que, muitas vezes, não passam de mera agitação e correria?

Agitação e correria não significam, necessariamente, atingimento de resultados. Significam apenas o que são: agitação e correria! Isso lembra a estória do homem montando um cavalo que corria em desabalada carreira pela pradaria, como se o próprio diabo estivesse em seus calcanhares. De passagem por um amigo, este pergunta apressadamente: “Ei, onde você vai com tanta pressa?” “Isto eu não sei”, respondeu o cavaleiro. “Pergunte ao cavalo”.

Para a maioria das pessoas a vida é como se elas estivessem montadas naquele cavalo, totalmente desgovernado, galopando apressadamente em direção a coisa alguma. Já se perguntou para onde a vida o está levando? Quais são os seus reais objetivos? O que está construindo em sua vida e o que está fazendo com o seu tempo? Já se perguntou quais são as suas prioridades?

É bom todos nós pensarmos nisso e com presteza. “É preciso saber viver”, diz a canção do Roberto Carlos.

Cristo era um mestre no manejo do tempo e na percepção do seu significado para a humanidade. Esta passagem revela isso: “Mas ele (Jesus), respondendo-lhes disse: Quando é chegado a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Tolos! Sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?”

O que ele estava dizendo é: “Vocês conhecem muito a respeito do mundo que os cerca, mas são incapazes de perceber e reconhecer que uma mensagem – e uma vida – muito superior a que vocês estão acostumados, está sendo entregue a vocês neste momento, por mim”. Cristo estava entregando a mensagem dos 20/80 da alta eficiência espiritual.

Adriano Moreira

CRESCEI NA GRAÇA DO CONHECIMENTO

2 Pd 3.18 – “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.

Graça e Conhecimento andam juntos. Ele [o conhecimento] é fruto dela [a graça]. Portanto, uma vez alcançados pela graça de Deus, o conhecimento se processa no interior do agraciado. Pois graça nada mais é do que o conhecimento da Pessoa e Obra de Cristo.

Nas palavras de Jesus, este processo acontece em duas dimensões simultâneas: Escrituras e poder de Deus. Isto porque, sendo Jesus o Verbo [Palavra] encarnado e revelado nas Escrituras Sagradas, qualquer que, de fato, vier conhecê-lo pelas Escrituras, conhecerá a magnitude do poder de Deus.

Fico a pensar na possibilidade genuína de se conhecer as Escrituras como Palavra de Deus e não conhecer o poder de Deus. Ambos se alcançam pela ação da graça divina no coração de todo aquele que nEle crê e o busca de todo o coração.

Só há possibilidade de dissociar Escrituras de poder de Deus no caso de se buscar a Escritura apenas como livro sagrado, mas não como Palavra de Deus revelada no coração. Ou, ainda, dissociar graça de conhecimento se o indivíduo confundir graça com liberalismo ou libertinagem e não como ação divina no coração humano.

Sim! Graça verdadeira é um processo contínuo de conhecimento da Pessoa de Cristo. Não há outro processo de conhecimento de uma pessoa se não pelo convívio contínuo, fiel e inseparável. Nesta caminhada e peregrinação alcança-se a consciência de

quem éramos sem Ele,

Ef 2.1 – “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência”

quem somos Ele,

1 Pd 2.9 – “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”

e de quem haveremos de ser nEle e para Ele,

1 Jo 2.1 – “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é”.

Só desta forma sobreviveremos a tudo o que opera em nossos dias em nome ou sem o nome de Deus, mas que de uma forma ou outra é nociva a tudo o que vem dEle.

Por isso, faz-se mais do que necessário este crescer sadio, leve, saudável, contínuo e maduro na Graça do Conhecimento de Cristo Jesus.

Este conhecimento não é produção da teologia da terra, nem de experiências pessoais, mas do encontro genuíno com a Pessoa de Jesus e da caminhada diária com Ele.

Digo isto em razão de perceber o quanto os que se dizem discípulos de Cristo pouco se interessam por conhecê-lo melhor através das Escrituras.

Infelizmente ainda se constata que o grande interesse em Jesus ainda repousa sobre o que Ele pode fazer e não no que Ele É.

Enquanto não atentarmos para a necessidade deste crescimento contínuo na Graça e no Conhecimento de Jesus, jamais poderemos expandir o Reino de Deus nesta terra, e ainda seremos bombardeados por tudo o que não é Palavra de Deus e nem mensagem do reino.

Pense nisso!

Adriano Moreira

EU CREIO EM MILAGRES, PORÉM…

Não creio que eles aconteçam regularmente com dia e hora marcados. Creio que vários fatores determinam a realização do milagre. A fé, a circunstância, a necessidade, a vontade divina podem ser alistados como fatores para a realização de milagres. Não creio que aconteçam apenas como uma preferência divina por alguns em detrimento de outros ou por uma simples determinação humana.

Não creio que eles fazam parte de uma linha de produção. Cada milagre é único e exclusivo. Ao observar alguns deles realizados por Jesus pode-se ver elementos de exclusividade. Certa vez Jesus curou ma doença com saliva e barro, em outra ocasião lavando em água, em outra aproximando-se e tocando no doente, e ainda, em outra, simplesmente dizendo uma palavra a distância. Isto porque Deus não trabalha como fábrica de milagres: com marca registrada e lotes marcados.

Não creio que ele tenha o objetivo de marketing. Todos os alcançados por um milagre operado pelo mestre da Galiléia foram exortados a que não divulgassem; no muito, a família. Pode-se, então,  perceber que Ele não tinha como objetivo fazer dos milagres seu marketing ministerial. Jesus não pede a nenhum dos agraciados para sairem dando testemunho por onde Ele passasse.

Não creio que tenham o propósito egocênctrico. É preciso perceber que os milagres não propõem-se a atender desejos pessoais-individuais-egocêntricos. Mais do que devolver a visão a um cego Jesus desejava que o curado visse a “luz”. Mais do que fazer o coxo andar Jesus objetivava que o agraciado caminhasse em direção a Deus. Mais do que ressurgir dos mortos Jesus esperava que o ressurreto vivesse para Deus. Por esta razão não creio em milagres egocêntricos que só atendem as necessidades individuaise não redunde em benefícios maiores para o contemplado e o próximo. Daí, não crer que se limitam ao visível e palpável. Ele tem como objetivo atingir corações e almas. Muitos dos quais Jesus curou foram também salvas.

Não creio que haja um único acesso para eles. Há quem diga que para se obter milagres é preciso ter fé. Esta declaração se torna simplista e confusa diante da Palavra e da vida. Pois tanto a Escritura como o dia-a-dia nos revelam o contrário. A fé, somente, não basta para a realização de milagres. Como disse acima, há um conjunto de fatores que produzem o milagre. Esta declaração é irresponsável e frustrante. Causadora de desilusões e decepções religiosas aos montes em nossos dias.

Não creio que sejam um fim em si mesmos. Eles apontam para a invasão do reino de Deus na terra. São o sinal de que um reino onde não há dor, morte e sofrimento é chegado e que um dia será experimentado em sua plenitude. Eles apontam para a eternidade. Brian McLaren diz que “Eles abrem caminho para se crer que algo novo, sem precedentes, e até então impossível, está a caminho; nos dizem que estamos sendo invadidos por uma força de esperança, um grupo de agentes secretos cuja trama é a bondade”. A vida abundante oferecida por Jesus terá sua plenitude na eternidade, porém já a experimentamos aqui e agora em suas muitas características.

Não creio que sejam meios de alcançar a fé. São os milagres que brotam da fé; não a fé que brota dos milagres. Ademais, sinais e maravilhas podem estimular a fé e podem vir em resposta a fé. Para alguns Jesus disse: “Tua fé te curou”, mas em outro caso o pedinte disse: “Ajuda-me na minha incredulidade”.

Por isso não creio que a fé cristã deva caminha sem a companhia do equilíbrio, do discernimento e da lógica.

Adriano Moreira

AS CONSEQUÊNCIAS DA CULPA

As doenças podem ter sua origem na psiquê. São chamadas de doenças psicossomáticas. Isto porque são doenças que se manifestam no corpo (soma), mas têm sua origem na alma (psiquê). São doenças da alma que se manifestam no corpo. O grande poeta e salmista de Israel não esteve livre de tais fenômenos. Com ele aprendemos o processo de tais fenômenos. Leiamos o salmo 38 com uma facilitação de leitura:

Muitas vezes as conseqüências de nossas ações servem como disciplina de Deus para nossa correção:

SENHOR, não me repreendas em tua

ira, nem me corrijas com cólera!

Porquanto as tuas flechas cravaram-se em

mim, e a tua mão se abateu sobre mim.

 

O pecado tem o poder de produzir culpa nas mentes moralistas e sinceramente conscientes de seus erros. E a culpa torna-se a causa de muitos efeitos doentios:

Por causa da tua ira, não há parte ilesa

em meu corpo; não há saúde nos meus

ossos, em conseqüência do meu pecado.

As minhas culpas me afogam; como

fardo pesado, tornaram-se insuportáveis

para mim.

Minhas feridas cheiram mal e supuram,

devido à minha insensatez.

Ando encurvado e todo abatido; o dia

inteiro perambulo e pranteio.

Estou sendo consumido pela febre; e

sinto todo o meu corpo enfermo.

Estou esgotado e, ao extremo, alquebrado;

minha alma geme de angústia.

 

Davi não se entrega diante dos males que o afligem, antes os entrega aquEle que conhece e esquadrinha todas as almas e corações e ensina-nos que o enfrentamento de tais problemas começa na confiança depositada em Deus:

 

SENHOR, diante de ti estão todos os meus

anseios; nem mesmo o meu suspiro te é

oculto.

 

Ele continua relatando as conseqüências de tamanha culpa que carregava em sua alma como conseqüência de seu pecado:

Meu coração palpita e as forças se afastam

do meu corpo; até a luz dos meus

olhos me abandonou.

 

Uma outra conseqüência que nos acomete nessas horas é a má compreensão dos que estão ao nosso redor. Em razão disso, nos abandonam como quem foge de uma doença contagiosa:

Meus companheiros e amigos me evitam

por causa da doença que me aflige; e

os meus vizinhos se mantêm à distância.

Além dos que nos abandonam em virtude de não discernirem o que nos acomete, ainda há aqueles que torcem por nossa ruína. São os juízes de causas alheias; os intérpretes de calamidades; os aproveitadores de catástrofes. Sempre apostos para fazerem juízo de tais fenômenos. Aproveitam-se de tais situações para apontarem, julgarem e projetarem nos outros os venenos que possuem em suas próprias almas:

Armam laços os que desejam atentar

contra minha vida, os que me querem

mal proclamam a minha ruína; dedicam

o dia todo a planejar calúnias.

Mas uma vez Davi nos ensina como enfrentar este tipo de gente e situação: Indiferença. Isto mesmo! Diante da maldade do próximo, além de se confiar no Senhor sabendo que ele é nosso vingador, tem-se que ignorar e não dá bolas. Pois é daí que eles tiram forças para nos afrontar. O que não podemos é nos tornar uma retroalimentação dos sentimentos de ódio de nossos algozes:

Eu, todavia, como um surdo, não ouço;

como mudo, não abro a boca.

 

Fiz-me como um homem que não percebe

o que ocorre à sua volta e sua língua

não sabe replicar.

 

O segredo foi, é e será sempre esperar pelo Senhor. Por isso, resta-nos apenas clamar a ele:

Em ti, SENHOR, espero: Tu me responderás,

ó SENHOR meu Deus!

 

Pois eu declarei: “Ouve-me, ó SENHOR,

para que tais pessoas não se divirtam por causa do meu sofrimento, tampouco

triunfem sobre mim, quando meu pé

escorregar!”

Estes são os momentos em que nossa fé é provada e nossa confiança no Senhor é testada. Por isso corremos o risco de tropeçar. Mas quem está de pé “cuide para que não caia”:

 

Porquanto, estou a ponto de tropeçar,

e a minha dor me acompanha sempre.

 

O passo seguinte no processo da cura da culpa é – depois de confiar no Senhor –  confessar-se a ele e receber seu perdão e justificação. Sem mais carregar o peso do pecado que ele já carregou por nós na cruz:

AOS QUE PROCURAM TODA SORTE DE BENÇÃOS

Se atentamente ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno o SENHOR, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra.

Se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos:

Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo.

Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas.

Bendito o teu cesto e a tua amassadeira.

Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres.

O SENHOR fará que sejam derrotados na tua presença os inimigos que se levantarem contra ti; por um caminho, sairão contra ti, mas, por sete caminhos, fugirão da tua presença.

O SENHOR determinará que a bênção esteja nos teus celeiros e em tudo o que colocares a mão; e te abençoará na terra que te dá o SENHOR, teu Deus.

O SENHOR te constituirá para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do SENHOR, teu Deus, e andares nos seus caminhos.

E todos os povos da terra verão que és chamado pelo nome do SENHOR e terão medo de ti.

O SENHOR te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto do teu solo, na terra que o SENHOR, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te.

O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado.

O SENHOR te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do SENHOR, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, seguindo outros deuses, para os servires.  Dt 28.1-14

A simples leitura da Palavra, por si só, revela-nos a verdade nela exposta. Não me refiro ao que está escrito, mas ao que está dito como Palavra e Revelação de Deus.

Algumas coisas ficam mais do que reveladas neste texto:

Que toda bênção é fruto de se Ser submisso em comunhão com o abençoador – Deus.

Que toda benção é fruto do Ser que frutifica segundo a sua própria natureza. Ou seja: não há como dar fruto diferente da própria natureza. Benção é consequência do que somos.

Que toda benção posiciona-nos como seres respeitáveis e temíveis diante daqueles que nos identificam como abençoados por Deus.

Que toda a benção que se estabelece a partir do Ser e não do Ter, independente das circunstâncias, põe-nos sempre como cabeças e não como caudas diante da vida.

Que toda benção direciona-nos para a adoração verdadeira e contínua da pessoa do abençoador. Nunca permitindo a troca do abençoador pela benção; que é idolatria.

Portanto, se você é dos que andam a procura de toda a sorte de bênçãos, saiba que as bênçãos procurarão, acompanharão e alcançarão os que simplesmente ouvires a voz do Senhor.

Adriano Moreira