O PERFIL DO CRENTE NO PROCESSO RESTAURADOR

“Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.” (Ez 37.5)

Pr. Adriano Moreira, Th.M.

Tive o privilégio de pregar em duas ocasiões sobre este tema. Uma delas no congresso da Monapoiort em Marataízes, estado do Espírito Santo. Apesar da divisa do tema encontrar-se em Lm 5.21, fui profundamente seduzido pelo texto de Ezequiel como texto básico de minhas reflexões e pregação. Isto sem mencionar que este texto é riquíssimo no que tange ao assunto de avivamento, renovação e restauração. Abaixo compartilho o que pude pinçar neste texto sobre a temática supracitada:

Ezequiel profetiza no capítulo anterior a restauração físico-espiritual de Israel que se encontrava em cativeiro babilônico, sem nenhuma esperança de retorno a sua terra. Esta restauração histórico-escatológica de natureza plena e total é profetizada no capítulo 36 e simbolizada em visão a Ezequiel neste capítulo como um vale de ossos sequíssimos. Isto para mostrar, em significado, o estado, humanamente falando, irreversível de Israel e o poder criador-restaurador de Deus de reverter o irreversível.

Tendo como fundo o caráter histórico desta profecia, quero ater-me ao aspecto escatológico dela, que nos arremete ao novo Israel de Deus, segundo a revelação do Novo Testamento. Portanto, esta profecia fala-nos do processo restaurador da Igreja que, a semelhança de Israel, se degradou, mas que experimenta histórica e espiritualmente um processo de restauração. O que preciso entender neste processo restaurador?

            Antes de qualquer coisa é preciso entender o que é um processo. Um processo é um sistema, um decurso, um conjunto de ações relativas a um propósito. É uma série de fenômenos que se sucedem e são ligados entre si. Faz-se necessário saber e entender isso para que não se ponha “os carros na frente dos bois”. Ou seja: todo o processo é metódico, paulatino gradativo; portanto, demorado.

            Outro fator importante é saber quais são os elementos fundamentais no processo restaurador. O texto nos apresenta três elementos indispensáveis quando se trata de restauração ou reavivamento. Primeiro Deus, que é a fonte e origem de tudo. Isto está claro nos versos 1 e 5. Sem Deus nada é ou será (1 Co 8.6; Cl 1.20). Segundo, a Palavra de Deus, como fonte inesgotável de sua revelação. Isto fica claro no verso 4. Paulo diz que o processo se dá pela renovação da mente na Palavra (Rm 12.2). Terceiro, um Profeta, como porta-voz da verdade de Deus. Isto fica evidente no verso 7. Para que haja Consciência Coletiva transformada é preciso que haja Consciência Individual transformada. Ou seja: a restauração e renovação começa com alguém, que influência alguns, que alcança muitos e atinge todos. Este é o princípio em  Ap 3.20. Deus bate à porta da igreja, mas espera que alguém abra a porta.

            Daí, também, é fundamental identificar o perfil do crente neste processo restaurador. Neste texto de Ezequiel encontro seis elementos identificador deste processo: Primeiro, uma autoconsciência do meu estado de irreversibilidade, conforme o verso 2. Deus faz Ezequiel andar no meio do vale. Isto para dar-lhe consciência do estado de Israel. Sem consciência de como  estou e quem sou, não há como me tornar o que Deus quer que eu seja. Segundo, a certeza de que só Deus é capaz de saber o meu estado em profundidade e operar o processo de reversibilidade. A sábia resposta de Exequiel é: “Senhor Jeová, tu o sabes”. É o que diz o verso 3. Todo autoconhecimento deve partir do conhecimento divino. Terceiro, a obediência irrestrita a Palavra do Senhor. Ezequiel recebe uma ordem no verso 7 e a executa na íntegra. Sem obediência a Palavra não há restauração divina em nós. A Palavra de Deus é viva e produz vida, Jo 6.63. Quarto, saber que todo processo é gradativo. No verso 6 é descrito um processo. Neste processo, alguns elementos são fundamentais: Unidade – ossos se juntando; Ordem e Posição – cada osso ao seu osso; Mobilidade – nervos; Consistência e Sustentabilidade – carne; Conteúdo e Vida – espírito; Visibilidade e Testemunho – pele. Claro que não há espaço aqui para entrar nos detalhes arquetípicos desta descrição. Por isso, deixo que o seu discernimento e imaginação tenham liberdade neste momento.

            Ainda é preciso saber que em todo processo há incômodos. No verso 7 se diz que este ajuntamento de ossos provocou um grande “reboliço”“ruídos”. Isto revela-nos que não há processos que não produzam incômodos. Nenhum processo acontece com 100% de satisfação. Sempre haverá riscos, perdas e um preço. Se não formos capazes de suportar os incômodos de um processo, nunca veremos o fim dele, Rm 8.28.

            Por último, precisamos saber que nenhum processo que não tenha o Espírito de Deus como agente, vai à frente. No verso 14 Deus diz que colocaria seu Espírito naquele exército restaurado à vida. Deus tem de ser o início e o seu Espírito a força motriz desta grande obra.

Se estas características se evidenciam em sua vida você está no processo restaurador de Deus.

 

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