SER LEVITA

Os levitas, ou filhos de Levi, eram antes uma tribo secular, mas que se tornou a tribo sacerdotal, pois deles procederam os sacerdotes (descendentes de Aarão) e os levitas (os demais membros da tribo). Os descendentes de Levi descendiam de seus três filhos, Gérson, Coate e Merari. No sentido mais estrito, o termo levitas designa todos os descendentes de Levi que ocuparam ofícios subordinados ao sacerdócio, a fim de distingüi-los dos descendentes de Aarão, que eram os sacerdotes (Êx 6.25). Todavia, em um outro sentido, o termo levitas aponta para aquele segmento da tribo que foi separado para o serviço do santuário, e que atuava subordinado aos sacerdotes. É por isso que se lê uma expressão como “…os sacerdotes e os levitas…” (Nm 8.6; Ed 2.70; Jo 1.19; Js 3.3).

Os levitas serviam no caráter de representantes da nação inteira, quanto às questões de honra, privilégio e obrigações do sacerdócio. A tríplice divisão do sacerdócio era: 1) o sumo sacerdote; 2) os sacerdotes comuns; 3) os levitas. Todas três divisões descendiam diretamente de Levi. Assim, todos os sacerdotes eram levitas; mas nem todos os levitas eram sacerdotes. A ordem menor do sacerdócio era constituída pelos levitas, que cuidavam de vários serviços no santuário. Alguns de seus deveres são descritos em Nm 3.7-9,25,26,31,36,37; 8.24-26; 18.23. Os filhos de Aarão, que foram separados para, servirem especialmente como sacerdotes, eram os superiores dos levitas. Somente os sacerdotes podiam ministrar nos sacrifícios do altar. Os levitas serviam ao santuário, como um todo. Os sacerdotes formavam um grupo sacerdotal. Após a idolatria que envolveu o bezerro de ouro, foram os levitas que se juntaram em torno de Moisés, ajudando-o a restaurar a boa ordem.

Desde então, eles passaram a ocupar uma posição distinta entre as tribos de Israel. Tornaram-se os guardiães do tabernáculo, e ninguém mais tinha permissão de aproximar-se do mesmo, sob pena de morte.

Desde o começo, os coatitas (descendentes de Coate), por serem os parentes mais chegados dos sacerdotes, receberam os ofícios mais elevados. Eram os coatitas que transportavam os vasos do santuário e a própria arca da aliança. Um arranjo permanente foi feito, para que recebessem o sustento com base nos dízimos pagos por todo o povo de Israel. À tribo de Levi, finalmente, foram destacadas quarenta e oito cidades, seis das quais também eram cidades de refúgio (Lv 25.32; Js 21.3,41). Entre as tarefas dos levitas estavam aquelas de preservar, copiar e interpretar a lei mosaica. Os levitas não foram incluídos no recenseamento geral, mas tiveram o seu próprio censo (1 Cr 23.3). Eles preparavam os animais a serem sacrificados, mantinham vigilância, faziam trabalhos braçais, limpavam o lugar de adoração e agiam como assistentes e servos dos sacerdotes aarônicos. Alguns levitas aproximavam-se dos sacerdotes quanto à dignidade, mas outros eram pouco mais que escravos.

Terminado o cativeiro babilônico, quando o remanescente de Israel retornou a Jerusalém, não mais do que trinta e oito levitas puderam ser reunidos.

A pureza de sangue deles e suas posições foram cuidadosamente preservadas por Esdras e Neemias. E, quando os romanos destruíram o templo de Jerusalém, em 70 D.C., e, então, dispersaram de vez aos judeus, depois de 132 D.C., os levitas desapareceram da história como um grupo distinto, misturando-se à multidão dos cativos e peregrinos judeus pelo mundo inteiro.

 

À partir desta informação introdutória sobre os levitas, faço algumas considerações:

 

SER LEVITA é ser designado para “todo” o trabalho na casa do Senhor (Nm 3.7-9,25,26,31,36,37; 8.24-26; 18.23). Assim como o trabalho de um levita incluía a preparação dos animais para serem sacrificados, a manutenção da vigilância, a realização de trabalhos braçais, a limpeza dos lugares de adoração e a assistência dos sacerdotes aarônicos, de igual sorte somos chamados ao mesmo tipo de trabalho na seara do Senhor. Ou seja: a “todo” o tipo de trabalho. Alguns destes trabalhos eram:

            LEVITAS PORTEIROS – foram separados pessoas para guardar e cuidar da arca, não cantavam nem tocavam, apenas cuidavam da arca (1 Cr 26.12,19) . Levitas não eram e não são apenas músicos (1 Cr 23.1-5). Os porteiros eram os que vigiavam a arca, tomavam conta da tenda. Todos eram levitas.

LEVITAS TESOUREIROS –  o patrimônio e valores da casa do Senhor eram responsabilidade dos levitas (1 Cr 26.20-28). Isto diz respeito as áreas burocráticas e administrativas da igreja que ninguém encara como ministério, como tesouraria, ação social e secretaria.

LEVITAS ADMINISTRADORES – No tempo de Davi foi acrescentado uma atividade até então desconhecida como função levítica (1 Cr 26.29-32). Assuntos externos ao templo e ao culto: juízes, agricultura, colheita de madeira, lavrar de pedras e tudo o que ajudava a sustentar os levitas do templo. Isto é: até aquele irmão que não exerce qualquer função direta no seio da igreja, mas com o seu trabalho externo trás sua “contribuição financeira” a casa do Senhor, ele tambem está exercendo função levítica. Acrescento, ainda, que no seu próprio ambiente de trabalho se exerce a função levítica pelo desempenho de um bom trabalho e pelo testemunho de vida que é a mais autêntica maneira de se pregar.Você sabia? Daí, todo o irmãozinho que não sabe cantar, mas que sabe encantar com sua profissão, pode se considerar um levita autêntico do Senhor!

 

SER LEVITA é ser consciente, convicto e contente com o “dom” que recebeu do Senhor (1 Cr 24.5). As funções dos levitas eram designadas por sortes, significando que foram escolhidos pelo Senhor para as respectivas funções, sabendo que alguns eram escolhidos para serem maiorais em detrimento de outros. Havia mestre e discípulo (1 Cr 25.8) e todos trabalhavam juntamente. A prática de formar discípulos é fundamental para que não faltem trabalhadores com habilidade e a mesma visão. Isso requer humildade, disponibilidade e amor pelo trabalho do Senhor. Deus é quem escolhe para “todo” o serviço quem ele quer. Nem todos serão maiorais (1 Ts 5.12).

 

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