VULNERABILIDADES DA ALMA

Sl 73

A alma do homem pode enfrentar desafios, angústias, perplexidades, crises e sentimentos que podem torná-la vulnerável. Asafe foi um dos principais cantores de Israel. É muito provável que ele tenha até mesmo fundado uma escola particular de composição de salmos. Sua idade devia oscilar entre os 60 e os 70 anos quando escreveu o Salmo 73. Mesmo desde novo como levita, sua fé estava oscilante. Ou seja: sua alma estava vulnerável apesar de sua fé.

Uma alma fica fragilizada quando apresenta inconstância (v.2). Ele não se sentia seguro ante a realidade à sua frente. Outro elemento fragilizador da alma é a inveja (v.3a). A inveja é sempre uma ma­nifestação de admiração que se dissimulou. A inveja-adoradora é uma adoração-invejosa do e contra o outro. Se ela existe no coração do homem, antes de ter-se dege­nerado no sentimento mesquinho que a caracteri­za, houve uma admiração que ameaçou sua segu­rança e, daí, surgiu a inveja. Asafe ainda possuía uma visão errada da vida (vs.4-10). Ou seja: Pensar que o homem sem Deus está bem, cf. Pv 27.8; achar que o homem pode se esconder de Deus, cf. Hb 4.13 e acreditar que o homem sem Deus está seguro, cf. Sl 104.27-29.

Além destas três coisas fragmentadoras da alma, Asafe tinha uma visão errada de si mesmo, uma autojustificação (vs.13,14). Como Asafe, as vezes pensamos que a vida de santidade é vã, v.13 e acreditamos que o sofrimento é um castigo divino, v.14. Por conta deste processo despedaçador da alma de um levita a perturbação e o azedume (vs.16,21,22) foram inevitáveis. Não há como a alma não azedar-se! Por isso muitas vezes sofremos de doenças psicossomáticas, v. 21 e nos tornamos amargos, embrutecidos, ignorantes e irracionais, v.22. Outra questão impressionante e inevitável neste cenário é a manifestação do vício da comparação (v.3), tão presente em dilemas da vida. Normalmente faz-se comparação com a saúde do outro, v.4; com o conforto do outro, v.5 e com o sucesso do outro, vs.5,12. Consequentemente faz nascer o espírito competitivo (vs.12,13).

Como todo o salmo que expõe os dilemas da alma, este também apresenta a cura para estas vulnerabilidades. Aqui está a chave deste salmo: “até que entrei no santuário”. O santuário é intimidade com Deus, é comunhão com Deus, é a presença de Deus. Deus é meu tabernáculo! Eu sou tabernáculo de Deus! No santuário entendo que a minha visão da vida está errada, vs.18-20,27; que Deus está segurando em minha mão direita, v.23; Is 41.10; que Deus está me guiando com o seu conselho, v.24; Sl 32.8; que Deus é minha maior riqueza, v.25; que Deus é meu maior prazer, v.25 e que Deus é minha fortaleza, v.26; Sl 46.1; 28.8; Fp 4.13. No santuário renovo meu desejo de Deus e a minha confiança nEle, v.25b,28.

Entre no santuário de comunhão, intimidade, adoração, humilhação, arrependimento para com Deus e deixe-se envolver pela glória do Deus do santuário e seja curado na alma. Pois, como estiver sua alma, estará seu sentimento (Mt 15.8); estará sua atitude (Fp 2.3); estará sua saúde (3 Jo 2); estará sua espiritualidade (Rm 12.2).

Adriano Moreira

VIVENDO COM SABEDORIA

Sl 90

Como o tempo está passando na sua vida? A maioria das pessoas vive como “Carolina”, de Chico Buarque, na música “A Banda”: “A vida passou na janela e só Carolina não viu”. Para muitas pessoas, a vida passa e elas não veem. Deus quer que sua vida tenha sentido (v.12). Você pode ter Jesus e ainda assim viver de modo bobo. Deus quer trabalhar esta área em você, de modo a fazer com que sua vida ganhe sentido, quando vivida com sabedoria.

Como viver com sentido? Tenha uma visão lúcida de você mesmo em relação à eternidade (vs.2-5). Esta visão derruba toda a arrogância humana. A vida, neste mundo, ganha sentido quando a eternidade é uma realidade.

Como viver com sentido? Tenha uma visão realista da condição humana na história. Viver com sabedoria não significa ignorar a realidade e se basear na utopia. É preciso encarar a vida como ela é! A vida é golpeada pela ira (vs.7,9); isto porque a queda colocou o universo sob a ira. A vida é marcada pela culpa (v.8) que promove um latejamento moral na alma humana. A vida é condicionada à vaidade (vs.4-6) que faz com que o ser humano olhe para si mesmo achando que vale muito, que é autossuficiente e que pode ser igual a Deus. No entanto, sua existência é tão transitória quanto a relva.

Como viver com sentido? Tenha uma iniludível visão da Graça de Deus. Viver com sabedoria é viver na graça! Graça é filha da Compaixão (vs.13,15) e torna eternas as nossas ações finitas (vs.16,17).

Tal visão nos capacita a viver sem arrogância, sem ilusões, sem romantismo, mas sim, acima do pessimismo paralisante. Esta visão vê a vida com a perspectiva da sabedoria.

Que se viva sob este tema/lema: “Sendo assim, ensina-nos, pois, a contar nossos dias, a fim de que possamos alcançar um coração verdadeiramente sábio!”

Nele, em quem sou e a quem sirvo!

Adriano Moreira

UMA PALAVRA SOBRE ECUMENISMO

Embora etimologicamente o termo “ecumene” tenha suas raízes no grego e signifique habitar, o mesmo tem passado por uma evolução de significados até o presente momento onde tal termo é aplicado numa perspectiva eclesiológica e teológica, significando a unidade da igreja, sociedade e mundo.

Embora historicamente a igreja tenha sido em sua realidade global e universal, logo cedo sofreu divisões (1 Co 1.10). Daí o ecumenismo ser o esforço de reverter divisões. Sabe-se que Cristo não idealizou várias igrejas, pois se fosse assim ele diria: “Minhas igrejas” e não “Minha igreja” (Mt 16.18). Todavia, a existência de várias igrejas locais, mesmo com suas divergências doutrinárias, históricas e de costumes, são resultados da multiforme graça de Deus (1 Pd 4.10). Há de se lembrar que a unidade genuína exposta no NT existe na diversidade (1 Co 12.12-27). Portanto, como diz certo autor: “Diversidade é legítima”. Só não podemos confundir unidade com uniformidade. Pois a tarefa do ecumenismo é reconciliar, conjugar, criar comunhão, aproximar, minimizar as diferenças, etc.

Levando em conta que a unidade da igreja antecede sua divisão, o ecumenismo não se torna o criador da unidade que já existe em Cristo, mas o promotor, proclamador, visibilizador e restaurador dela.

O ecumenismo tem buscado desde cedo em sua multiformidade o resgate desta unidade; não sem resistências múltiplas, tal como a comparação de ecumenismo com sincretismo. O que penso ser o maior desafio-perigo de qualquer proposta de unidade. Justamente pela confusão que a maioria ainda faz de unidade com sincretismo ou de absoluto com relativo é que ecumenismo encontra grande desafio. Pois quando não se inclina para o exclusivismo, se desemboca no sincretismo e relativização da verdade e do absoluto das Escrituras.

Segundo certo autor, o ecumenismo tem como propósito superar a rivalidade e proporcionar a missão da igreja. Porque a igreja é missionária e não proselitista. Por isso ele advoga que a busca pela unidade é um imperativo inadiável, inalienável e irrenunciável, a ponto de fazer parte dos currículos teológicos no propósito de se conhecer melhor o tema e sua história, pois caminhamos cada vez mais para um mundo globalizado, onde temos que aprender a conviver com o diferente. Isto sem falar que a cristandade do futuro revela-se multidenominacional. Restando apenas as definições dos objetivos ecumênicos.

Apesar de, por séculos, a América Latina não conhecer outro credo se não o católico, nos meados do século XIX esta muralha começa a ruir-se com as missões protestantes. Esta mudança faz surgir o problema ecumênico neste continente. Pois o mesmo não era considerado pagão, mas cristão. Entretanto, esta não era a mesma opinião das sociedades missionárias americanas, que discordavam da decisão da Conferencia de Edimburgo em 1910. Desde então várias iniciativas foram tomadas nesta direção, tais como: a criação e realização de congressos, comitês e organizações em toda a América Latina. Particularmente no Brasil o ecumenismo tomou características peculiares como a existência de várias organizações ecumênicas não oficiais. Na América Latina o ecumenismo se subdivide em histórico, evangélico e pentecostal, onde não só a igreja católica não participa tanto quanto as igrejas pentecostais.

Se ecumenismo for a proposta de se restaurar a unidade, a comunhão e a aproximação entre as igrejas de modo que a sociedade e o mundo sejam contaminados com esta unidade (Jo 17), isto sem relativizar a verdade e sem aniquilar identidades; creio ser esta a mesma proposta-oração de Jesus. Portanto, por ele devemos buscar, agir e esperar.

 Adriano Moreira

TEMPLO OU TABERNÁCULO?

Desde o início da criação Deus nunca fez menção ou desejou construir um Templo. Templo é produção humana; não divina. Seu desejo sempre foi de habitar no, e, com, o homem. Por isso, os patriarcas que andavam com Ele habitavam tendas e levantavam altares por onde quer que passavam; e ao libertar seu povo do Egito ordenou: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8). Isto porque, a presença divina sempre teve caráter ambulante e não fixidante. Ele sempre desejou caminhar com os seus filhos. Por isso, se diz de Enoque que “andou com Deus”. O Tabernáculo no deserto era montado e desmontado conforme o mover divino através da coluna de nuvem e de fogo. Não havia Templo, imagem, lugar específico e nada que fosse fixo. Deus já estava ensinando que a habitação divina se dá no coração do caminhante.

É com Davi que surge a idéia de Templo. Deus apenas permite que este seja construído. Diga-se de passagem, que todos os Templos construidos foram, respectivamente, destruidos posteriormente (o de Salomão, destruído por Nabucodonozor; o de Esdras, destruído e profanado por Antíoco Epifânio; e o de Herodes, destruído na invasão romana da Palestina no ano 70 d. C.). Curioso, não?

Todavia, Ele insiste na idéia de tabernacular entre o seu povo. Pois, na dedicação do Templo sua shekiná invade o mesmo de tal forma que os de fora não podiam entar, como os de dentro não podiam sair. Infelizmente, como previsto, o povo passou a sacralizar mais o Templo do que a presença divina. Passaram a dar mais valor a forma do que ao conteúdo.

Por esta razão Deus começa a falar pelos profetas de um novo concerto e de uma nova aliança onde o propósito de tabernacular (habitar) entre o seu povo seria restabelecido. Através de Ezequiel ele diz: “E farei com eles um concerto de paz; e será um concerto perpétuo; e os esabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”.

Esta é a razão pela qual Jesus não vincula seu ministério ao Templo. Ele aparece andando de aldeia a aldeia ministrando ao povo. Você o encontra nos mais variados lugares. Quase nunca no Templo. A única vez que o encontram ministrando no Templo é quando tinha doze anos, ensinando aos doutores. No muito, o encontravam em alguma sinagoga, como na de Nazaré. Foi ele que disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”. Jesus e seus discípulos não construíram nenhum “Templo dos Milagres” ou “Cadetral da Fé”. E, ao contrário dos televangelistas atuais, nunca limitou o agir de Deus as quatro paredes do Templo.

Sim! É do homem a idéia de fixidez, de Templo sagrado, de referência geográfica, de local sagrado, de altar fixo. Para Deus o único chão sagrado no qual só Ele é capaz de andar é o coração do homem. Que se não for sagrado, nenhum outro lugar deverá ser.

Reincindimos no erro de Israel ao valorizarmos com demasia o Templo feito por mãos humanas em detrimento do Tabernáculo criado por mãos divinas. Por isso, é dito que o “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens”. Todavia, nós insistimos em dizer – de forma implícita, é claro -, à moda pelagiana, que fora da “igreja” (entenda-se Templo) não há salvação.

Portanto, fica esclarecido e declarado que, segundo as Escrituras e coletivamente como igreja, “vós sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”. E, individualmente, “que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Ou seja: independente de estarmos ou não no Templo, Deus não habita em Templos, Deus habita em seus Tabernáculos. E seus Tabernáculos somos nós.

Adriano Moreira

SIMPLES COMO DEUS

Em toda a Escritura Deus insiste em mostrar-se simples. Sempre busca maneiras simples de se manifestar, de se revelar ou de se fazer conhecer.

Ele é simples na criação de todas as coisas quando, mesmo do nada, leva seis dias para criar o que poderia fazer em milésimo de segundos, usando apenas a sua Palavra.

É simples na solução de grandes problemas, como quando providencia cobertores de folhas de figueiras para cobrir os pecados introduzidos na humanidade como resultado da desobediência de Adão e Eva.

É simples na escolha de homens e mulheres que seriam, além de grandes personagens da Bíblia, seus instrumentos de revelação no tempo e na história, tais como Abraão, Moisés, Jacó, etc. Gente sem nenhum pedigree, mas que nas suas respectivas simplicidades entraram na galeria dos heróis da fé e se fizeram personagens “dos quais o mundo não era digno deles”.

É simples na seleção dos instrumentos pelos quais fez grandes maravilhas, à exemplo do cajado de Moisés, da queixada de jumento nas mãos de Sansão, das cinco pedras de Davi, da simples capa de Elias, entre outros.

Esta simplicidade mostra-se absurdamente chocante quando da sua revelação maior, mas completa e perfeita à humanidade. Para isso Ele escolhe tornar-se carne, homem, humano, limitado, esvaziado de sua glória. Na pela de Jesus de Nazaré a simplicidade divina torna-se mais palpável, real e imitável.

Nasce numa manjedoura, cresce numa vila humilde, lidera homens dos mais simples que poderia arregimentar por aquelas bandas, ministra de vila em vila, não possui nenhum bem material, nem um albergue de repouso – neste sentido, segundo ele mesmo, para uma raposa ou uma ave havia mais estabilidade e repouso.

Enfim, o Deus da Bíblia e da História é um Deus simples!

Então, de onde vem este “Deus” complicado, exigente, cheio de mistérios? De onde vem este “Deus” dos tele evangelistas hodiernos? De onde vem este “Deus” que para alcançar seus benefícios deve-se fazer várias campanhas, votos, sacrifícios, correntes e barganhas? Sem sombra de dúvidas, este “Deus” vem do cristianismo de Constantino, produzido a partir do IV século; não das sagradas Escrituras.

Desde então se vem produzindo um “Deus” inacessível, misterioso, unicamente transcendente e complicado de se entender. Por esta razão, tudo o que vem dele torna-se igualmente mais difícil: a salvação depende de obras; as bênçãos de sacrifícios de barganhas; a comunhão de ponto de contatos; o culto de lugar fixo; a adoração de coreografias estereotipadas e a experiência de visibilidade.

Não! O meu Deus é simples!

Recuso-me a seguir este “Deus” dos crentes hodiernos.

Tomo a ousadia de te convidar a fazer par comigo nesta renúncia. Abandone de imediato este “Deus” pagão e cristianizado, que nem mesmo Constantino imaginava que se tornaria assim.

Aceite o meu convite; e sigamos ao Deus simples que nos convida a sermos simples  na simplicidade do Evangelho do Reino.

É simples assim!

Adriano Moreira

SER LEVITA

Os levitas, ou filhos de Levi, eram antes uma tribo secular, mas que se tornou a tribo sacerdotal, pois deles procederam os sacerdotes (descendentes de Aarão) e os levitas (os demais membros da tribo). Os descendentes de Levi descendiam de seus três filhos, Gérson, Coate e Merari. No sentido mais estrito, o termo levitas designa todos os descendentes de Levi que ocuparam ofícios subordinados ao sacerdócio, a fim de distingüi-los dos descendentes de Aarão, que eram os sacerdotes (Êx 6.25). Todavia, em um outro sentido, o termo levitas aponta para aquele segmento da tribo que foi separado para o serviço do santuário, e que atuava subordinado aos sacerdotes. É por isso que se lê uma expressão como “…os sacerdotes e os levitas…” (Nm 8.6; Ed 2.70; Jo 1.19; Js 3.3).

Os levitas serviam no caráter de representantes da nação inteira, quanto às questões de honra, privilégio e obrigações do sacerdócio. A tríplice divisão do sacerdócio era: 1) o sumo sacerdote; 2) os sacerdotes comuns; 3) os levitas. Todas três divisões descendiam diretamente de Levi. Assim, todos os sacerdotes eram levitas; mas nem todos os levitas eram sacerdotes. A ordem menor do sacerdócio era constituída pelos levitas, que cuidavam de vários serviços no santuário. Alguns de seus deveres são descritos em Nm 3.7-9,25,26,31,36,37; 8.24-26; 18.23. Os filhos de Aarão, que foram separados para, servirem especialmente como sacerdotes, eram os superiores dos levitas. Somente os sacerdotes podiam ministrar nos sacrifícios do altar. Os levitas serviam ao santuário, como um todo. Os sacerdotes formavam um grupo sacerdotal. Após a idolatria que envolveu o bezerro de ouro, foram os levitas que se juntaram em torno de Moisés, ajudando-o a restaurar a boa ordem.

Desde então, eles passaram a ocupar uma posição distinta entre as tribos de Israel. Tornaram-se os guardiães do tabernáculo, e ninguém mais tinha permissão de aproximar-se do mesmo, sob pena de morte.

Desde o começo, os coatitas (descendentes de Coate), por serem os parentes mais chegados dos sacerdotes, receberam os ofícios mais elevados. Eram os coatitas que transportavam os vasos do santuário e a própria arca da aliança. Um arranjo permanente foi feito, para que recebessem o sustento com base nos dízimos pagos por todo o povo de Israel. À tribo de Levi, finalmente, foram destacadas quarenta e oito cidades, seis das quais também eram cidades de refúgio (Lv 25.32; Js 21.3,41). Entre as tarefas dos levitas estavam aquelas de preservar, copiar e interpretar a lei mosaica. Os levitas não foram incluídos no recenseamento geral, mas tiveram o seu próprio censo (1 Cr 23.3). Eles preparavam os animais a serem sacrificados, mantinham vigilância, faziam trabalhos braçais, limpavam o lugar de adoração e agiam como assistentes e servos dos sacerdotes aarônicos. Alguns levitas aproximavam-se dos sacerdotes quanto à dignidade, mas outros eram pouco mais que escravos.

Terminado o cativeiro babilônico, quando o remanescente de Israel retornou a Jerusalém, não mais do que trinta e oito levitas puderam ser reunidos.

A pureza de sangue deles e suas posições foram cuidadosamente preservadas por Esdras e Neemias. E, quando os romanos destruíram o templo de Jerusalém, em 70 D.C., e, então, dispersaram de vez aos judeus, depois de 132 D.C., os levitas desapareceram da história como um grupo distinto, misturando-se à multidão dos cativos e peregrinos judeus pelo mundo inteiro.

 

À partir desta informação introdutória sobre os levitas, faço algumas considerações:

 

SER LEVITA é ser designado para “todo” o trabalho na casa do Senhor (Nm 3.7-9,25,26,31,36,37; 8.24-26; 18.23). Assim como o trabalho de um levita incluía a preparação dos animais para serem sacrificados, a manutenção da vigilância, a realização de trabalhos braçais, a limpeza dos lugares de adoração e a assistência dos sacerdotes aarônicos, de igual sorte somos chamados ao mesmo tipo de trabalho na seara do Senhor. Ou seja: a “todo” o tipo de trabalho. Alguns destes trabalhos eram:

            LEVITAS PORTEIROS – foram separados pessoas para guardar e cuidar da arca, não cantavam nem tocavam, apenas cuidavam da arca (1 Cr 26.12,19) . Levitas não eram e não são apenas músicos (1 Cr 23.1-5). Os porteiros eram os que vigiavam a arca, tomavam conta da tenda. Todos eram levitas.

LEVITAS TESOUREIROS –  o patrimônio e valores da casa do Senhor eram responsabilidade dos levitas (1 Cr 26.20-28). Isto diz respeito as áreas burocráticas e administrativas da igreja que ninguém encara como ministério, como tesouraria, ação social e secretaria.

LEVITAS ADMINISTRADORES – No tempo de Davi foi acrescentado uma atividade até então desconhecida como função levítica (1 Cr 26.29-32). Assuntos externos ao templo e ao culto: juízes, agricultura, colheita de madeira, lavrar de pedras e tudo o que ajudava a sustentar os levitas do templo. Isto é: até aquele irmão que não exerce qualquer função direta no seio da igreja, mas com o seu trabalho externo trás sua “contribuição financeira” a casa do Senhor, ele tambem está exercendo função levítica. Acrescento, ainda, que no seu próprio ambiente de trabalho se exerce a função levítica pelo desempenho de um bom trabalho e pelo testemunho de vida que é a mais autêntica maneira de se pregar.Você sabia? Daí, todo o irmãozinho que não sabe cantar, mas que sabe encantar com sua profissão, pode se considerar um levita autêntico do Senhor!

 

SER LEVITA é ser consciente, convicto e contente com o “dom” que recebeu do Senhor (1 Cr 24.5). As funções dos levitas eram designadas por sortes, significando que foram escolhidos pelo Senhor para as respectivas funções, sabendo que alguns eram escolhidos para serem maiorais em detrimento de outros. Havia mestre e discípulo (1 Cr 25.8) e todos trabalhavam juntamente. A prática de formar discípulos é fundamental para que não faltem trabalhadores com habilidade e a mesma visão. Isso requer humildade, disponibilidade e amor pelo trabalho do Senhor. Deus é quem escolhe para “todo” o serviço quem ele quer. Nem todos serão maiorais (1 Ts 5.12).

 

SER IGREJA

“… que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.” (1 Tm 3.15)

Seria Igreja um clube de irmãos?

Seria Igreja quatro paredes geladas de maldade?

Seria Igreja uma organização levantada em nome de Deus?

Seria Igreja um credo religioso a ser seguido sem questionamentos?

Seria Igreja um prédio onde se freqüenta a fim de se fazer oferendas a uma divindade para dela obter favores?

Seria Igreja uma empresa de lucratividade pessoal ou familiar?

Seria Igreja uma entidade de poder religioso hereditária?

Nunca pensei que um dia teria de admitir a existência de “duas” igrejas. Sempre acreditei na una, única, autêntica e verdadeira igreja de Cristo. Aquela da qual Ele disse “que as portas do inferno jamais prevaleceria contra ela”. Todavia, o que observamos, com exceções é claro, é uma igreja e um evangelho estranho existindo paralelamente a “igreja do Deus vivo”. Daí a minha conclusão de que hoje existem “duas” igrejas. É isto mesmo: escrevo duas entre aspas, porque de fato, pelas Escrituras, só existe uma igreja autêntica. O que denuncio quando escrevo “duas” entre aspas é que estão promovendo uma igreja que não é bíblica, não é cristã, não é comprada com sangue de Cristo, não vivencia a graça de Deus, não prega a salvação pela graça, não aceita o sofrimento como didática divina, fazem de Deus um servo a disposição e crêem num triunfalismo exacerbado e suicida.

A igreja paralela não crê na graça. Ela ensina que é preciso fazer votos e sacrifícios (dar dinheiro) para sermos abençoados por Deus. Ensina que é preciso fazer por merecer para ser atendido por Deus. Ela põe a salvação nas mãos do homem. Ela diz que precisamos fazer a nossa parte para que Deus faça a dele.

A igreja paralela não é bibliocêntrica. Suas mensagens não possuem respaldo bíblico. Suas pregações carecem de hermenêutica e exegese. Seus ensinos são extraídos de experiências pessoais duvidosas. Seus ministros têm mais compromisso com o bolso do que com a Palavra. Sua dinâmica gira em torno do lucro e não da santidade e do compromisso.

A igreja paralela é triunfalista e utópica. Ela não subsiste aos testes mais simples da vida. Ela não resiste na escola do sofrimento e da aflição. Seus membros jamais experimentarão os milagres do deserto. Ela idealiza um futuro inexistente e um amanhã irrealizável.

A igreja paralela carece de ser denunciada. Que os pastores, líderes e comunicadores hodiernos compromissados com a verdade da Palavra de Deus e com o Deus da Palavra proclamem em alto e bom som que há uma igreja estranha e anátema caminhando junto da verdadeira igreja de Cristo Jesus.

Igreja, segundo Jesus, é o grupo dos chamados para fora do sistema deste mundo, que se define como um espírito ideológico coletivo.

Igreja, segundo Jesus, é o engajamento de discípulos como testemunha viva da mensagem do Evangelho até aos confins da terra.

Igreja, segundo Jesus, é a reunião de dois ou três no nome dele em qualquer lugar em qualquer circunstância.

Igreja, segundo Jesus, é o caminho do discípulo neste mundo-cosmos sem se contaminar com o mundo-sistema.

Igreja, segundo Jesus, não é identificável por um número de CNPJ e nem por endereço fixo.

Igreja, segundo Jesus, é o caminho de quem está no Caminho em peregrinação constante e progressiva.

Igreja, segundo Jesus, é ajuntamento dos discípulos para o crescimento no entendimento do Evangelho.

Igreja, segundo Jesus, é a comunhão dos santos para o estímulo mútuo da fé.

Igreja, segundo Jesus, é aquela comunidade estabelecida sobre Ele mesmo, do qual as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Cuidemos para que não façamos parte da IGREJA PARALELA.

Adriano Moreira

QUANDO AS ORAÇÕES CESSAM

Sl 72.20

Há momentos onde parece que as orações chegaram ao fim. As orações de Davi chegaram ao fim porque ele morrera. Mas muitas coisas existem na vida que colaboram para que nossas orações se interrompam, acabem ou cessem.

As orações cessam quando abrigamos no coração as mentiras, as fraudes e o ódio (Sl 109.1-7). Não adianta você estar cheio de ódio para com o seu irmão e ir para a reunião de oração, vigília ou consagração louvar a Deus. Vá para reunião, mas para buscar solução para tal sentimento. Se você está vivendo uma vida de mentiras, vá orar e pedir para Deus trazer consciência ao seu coração, pois de outra maneira sua oração é afronta a Deus.

As orações cessam quando se tem uma desobediência ostensiva à Palavra de Deus (Pv 28.9). A oração daquele que, deliberadamente, desobedece à Palavra se torna abominável. Existem pessoas que vivem em pecado e desobediência constante; mas em vez de procurar ajuda ou aconselhamento, prefere vestir uma “capa” religiosa na igreja. As orações destas pessoas são abomináveis a Deus.

As orações cessam quando a oração não é oração, mas apenas um desempenho de santidade aparente (Mt 6.5,6). Há pessoas que ensaiam orações que programam como vão falar. Onde mencionam tudo o que fizerem de “bem” na vida. Isto não é oração; é um desempenho e autopromoção.

As orações cessam quando a oração é apenas um falar técnico ou mecânico (Mt 6.7,8). Na maioria das vezes e com a maioria das pessoas nos momentos de oração só se está presente o corpo; não a alma e coração. Oração tem de ser uma exposição da alma de quem ora. Oração tem que ser espontânea.

As orações cessam quando a amargura é latente dentro de nós (Mc 11.25). Não se pode orar, sem perdoar. Não se pode orar com ódio na alma. Não se pode orar com rancor no coração. Não se pode orar com inimigos na vida.

As orações cessam quando a relação familiar promove discórdia (1 Pd 3.7). Há maridos que batem na esposa, que são ríspidos e indiferentes com os filhos. Há esposas lamuriosas, depressivas, opressoras dos seus maridos e filhos. Nesses lares a oração é interrompida!

As orações cessam quando há culpa no coração (Sl 51.3). Culpa muitas vezes é consequência de erros não tratados. O diabo quer usar nossa culpa para cessar nossas orações. Com culpa ou sem ela devemos orar sempre.

As orações de Davi cessaram porque ele morreu. Todavia, enquanto viveu, foi um dos homens que mais orou. Deus permita que nossas orações só cessem com a morte ou arrebatamento e que esta seja a passagem direta para o encontro eterno com o Senhor.

Nele, em quem sou e a quem sirvo!

Adriano Moreira

DESEJO PESSOAL OU PROMESSA DIVINA?

Não poucas vezes encontro, aqui e ali, pessoas reclamando da demora de alguma promessa divina. Quando não, encontro pessoas “testemunhando” que receberam ou aguardam por uma promessa divina. Pior ainda é quando encontro pessoas angustiadas pela demora no cumprimento de tais promessas. Daí a minha pergunta: “Quais promessas de Deus deveríamos ainda esperar se não a de sua volta em poder e grande glória? Pois, qualquer outra coisa que de Deus eu poderia esperar, de fato e de verdade já está feito. Pois, disse Paulo: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós”.

Ou seja: todas as promessas que de Deus eu possa ter recebido já foi cumprido por Cristo Jesus na cruz ao dizer: “ESTÁ CONSUMADO”. Restando apenas a promessa feita por Ele mesmo de que voltaria para nos buscar, para que onde ele estivesse, estivéssemos também. Nisto incluem-se os dons espirituais, o batismo no Espírito Santo e outras coisas mais como conseqüência de nossa salvação.

O mais é desejo pessoal e de auto-realização transferida para Deus. Neste contexto de deus-servo a serviço dos súditos-senhores, este fenômeno de transferência de responsabilidade de realização dos desejos e projetos humanos para as costas da santíssima trindade, recebeu o nome de “promessa divina” a ser esperada e cobrada, caso aja uma pequena demora.

Creio, como bom discípulo de Jesus, no poder divino de falar, agir, prometer e realizar o que quiser; com quem quiser, onde quiser; da maneira que quiser; pois ele É DEUS. Só não creio que este mesmo Deus saia por aí criando angústias e temores nos corações incautos e penitentes dos crentes hodiernos por conta de promessas feitas e ainda não cumpridas.

É preciso discernir que a MAIORIA ESMAGADORA das chamadas promessas divinas são apenas desejos (bons ou maus) dos crentes, transformados em promessas/dividas de Deus.

Dizer que Deus tem muitas promessas a cumprir é dizer que Deus está em dívidas com muitos. Pois, promessa é dívida!

PRINCÍPIOS DA QUALIDADE TOTAL

Procura apresentar-te a Deus aprovado…” (2 Tm 2.15)

Para se crescer, amadurecer e alcançar qualidade no Reino de Deus é necessário adotar novos valores e atitudes. Precisam-se conhecer os princípios da liderança pela qualidade e começar a mudar. É necessária a introdução de uma nova visão na igreja. Isto só será possível a partir dos princípios da Qualidade Total. Novas atitudes, valores e objetivos – os mais importantes – estão presentes nestes princípios.

O Princípio da Satisfação. A igreja precisa prever as necessidades e superar as expectativas. A gestão pela qualidade assegura a satisfação de todos os que fazem parte dos diversos processos da obra.

O Princípio da Participação. É preciso criar a cultura da participação e passar as informações necessárias aos cooperadores. A participação fortalece decisões, mobiliza forças e gera o compromisso de todos com os resultados. Ou seja: responsabilidade. O principal objetivo é conseguir o “efeito sinergia”, onde o todo é maior que a soma das partes.

O Princípio da Constancia de Propósitos. A adoção de novos valores é um processo lento e gradual que deve levar em conta a cultura existente na igreja. Os novos princípios devem ser repetidos e reforçados, estimulados em sua prática, até que a mudança desejada se torne irreversível. É preciso persistência e continuidade.

O Princípio do Aperfeiçoamento Contínuo. O avanço, a renovação dos costumes e do comportamento leva a mudanças rápidas nas reais necessidades da igreja. Acompanhar as mudanças que ocorrem com o contínuo aperfeiçoamento é uma forma de garantir e descobrir novas oportunidades de Deus para a igreja.

O Princípio da Delegação. O melhor controle é aquele que resulta da responsabilidade atribuída a cada um. Só com os três atributos divinos – onipresença, onisciência e onipotência – seria fácil ao pastor desempenhar a mais importante missão dentro da igreja: relacionar-se diretamente com todos os membros, em todas as situações. A saída é delegar competência.

O Princípio da Intolerância ao Erro. O padrão de qualidade desejável na igreja deve ser o de “Zero Defeito”. Este princípio deve ser incorporado à maneira de pensar de membros e líderes, na busca da perfeição em suas atividades. A intolerância ao erro não exclui o perdão e inclui a vigilância necessária para evitá-lo.

A implantação da Qualidade Total tem como pré-requisito transparência no fluxo de conhecimento dentro da igreja. Todos devem entender qual é o negócio, a missão, os grandes propósitos e os planos espirituais. Você está dentro?

Adriano Moreira