TEMPLO OU TABERNÁCULO?

Desde o início da criação Deus nunca fez menção ou desejou construir um Templo. Templo é produção humana; não divina. Seu desejo sempre foi de habitar no, e, com, o homem. Por isso, os patriarcas que andavam com Ele habitavam tendas e levantavam altares por onde quer que passavam; e ao libertar seu povo do Egito ordenou: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8). Isto porque, a presença divina sempre teve caráter ambulante e não fixidante. Ele sempre desejou caminhar com os seus filhos. Por isso, se diz de Enoque que “andou com Deus”. O Tabernáculo no deserto era montado e desmontado conforme o mover divino através da coluna de nuvem e de fogo. Não havia Templo, imagem, lugar específico e nada que fosse fixo. Deus já estava ensinando que a habitação divina se dá no coração do caminhante.

É com Davi que surge a idéia de Templo. Deus apenas permite que este seja construído. Diga-se de passagem, que todos os Templos construidos foram, respectivamente, destruidos posteriormente (o de Salomão, destruído por Nabucodonozor; o de Esdras, destruído e profanado por Antíoco Epifânio; e o de Herodes, destruído na invasão romana da Palestina no ano 70 d. C.). Curioso, não?

Todavia, Ele insiste na idéia de tabernacular entre o seu povo. Pois, na dedicação do Templo sua shekiná invade o mesmo de tal forma que os de fora não podiam entar, como os de dentro não podiam sair. Infelizmente, como previsto, o povo passou a sacralizar mais o Templo do que a presença divina. Passaram a dar mais valor a forma do que ao conteúdo.

Por esta razão Deus começa a falar pelos profetas de um novo concerto e de uma nova aliança onde o propósito de tabernacular (habitar) entre o seu povo seria restabelecido. Através de Ezequiel ele diz: “E farei com eles um concerto de paz; e será um concerto perpétuo; e os esabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”.

Esta é a razão pela qual Jesus não vincula seu ministério ao Templo. Ele aparece andando de aldeia a aldeia ministrando ao povo. Você o encontra nos mais variados lugares. Quase nunca no Templo. A única vez que o encontram ministrando no Templo é quando tinha doze anos, ensinando aos doutores. No muito, o encontravam em alguma sinagoga, como na de Nazaré. Foi ele que disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”. Jesus e seus discípulos não construíram nenhum “Templo dos Milagres” ou “Cadetral da Fé”. E, ao contrário dos televangelistas atuais, nunca limitou o agir de Deus as quatro paredes do Templo.

Sim! É do homem a idéia de fixidez, de Templo sagrado, de referência geográfica, de local sagrado, de altar fixo. Para Deus o único chão sagrado no qual só Ele é capaz de andar é o coração do homem. Que se não for sagrado, nenhum outro lugar deverá ser.

Reincindimos no erro de Israel ao valorizarmos com demasia o Templo feito por mãos humanas em detrimento do Tabernáculo criado por mãos divinas. Por isso, é dito que o “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens”. Todavia, nós insistimos em dizer – de forma implícita, é claro -, à moda pelagiana, que fora da “igreja” (entenda-se Templo) não há salvação.

Portanto, fica esclarecido e declarado que, segundo as Escrituras e coletivamente como igreja, “vós sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”. E, individualmente, “que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Ou seja: independente de estarmos ou não no Templo, Deus não habita em Templos, Deus habita em seus Tabernáculos. E seus Tabernáculos somos nós.

Adriano Moreira

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