UMA PALAVRA SOBRE ECUMENISMO

Embora etimologicamente o termo “ecumene” tenha suas raízes no grego e signifique habitar, o mesmo tem passado por uma evolução de significados até o presente momento onde tal termo é aplicado numa perspectiva eclesiológica e teológica, significando a unidade da igreja, sociedade e mundo.

Embora historicamente a igreja tenha sido em sua realidade global e universal, logo cedo sofreu divisões (1 Co 1.10). Daí o ecumenismo ser o esforço de reverter divisões. Sabe-se que Cristo não idealizou várias igrejas, pois se fosse assim ele diria: “Minhas igrejas” e não “Minha igreja” (Mt 16.18). Todavia, a existência de várias igrejas locais, mesmo com suas divergências doutrinárias, históricas e de costumes, são resultados da multiforme graça de Deus (1 Pd 4.10). Há de se lembrar que a unidade genuína exposta no NT existe na diversidade (1 Co 12.12-27). Portanto, como diz certo autor: “Diversidade é legítima”. Só não podemos confundir unidade com uniformidade. Pois a tarefa do ecumenismo é reconciliar, conjugar, criar comunhão, aproximar, minimizar as diferenças, etc.

Levando em conta que a unidade da igreja antecede sua divisão, o ecumenismo não se torna o criador da unidade que já existe em Cristo, mas o promotor, proclamador, visibilizador e restaurador dela.

O ecumenismo tem buscado desde cedo em sua multiformidade o resgate desta unidade; não sem resistências múltiplas, tal como a comparação de ecumenismo com sincretismo. O que penso ser o maior desafio-perigo de qualquer proposta de unidade. Justamente pela confusão que a maioria ainda faz de unidade com sincretismo ou de absoluto com relativo é que ecumenismo encontra grande desafio. Pois quando não se inclina para o exclusivismo, se desemboca no sincretismo e relativização da verdade e do absoluto das Escrituras.

Segundo certo autor, o ecumenismo tem como propósito superar a rivalidade e proporcionar a missão da igreja. Porque a igreja é missionária e não proselitista. Por isso ele advoga que a busca pela unidade é um imperativo inadiável, inalienável e irrenunciável, a ponto de fazer parte dos currículos teológicos no propósito de se conhecer melhor o tema e sua história, pois caminhamos cada vez mais para um mundo globalizado, onde temos que aprender a conviver com o diferente. Isto sem falar que a cristandade do futuro revela-se multidenominacional. Restando apenas as definições dos objetivos ecumênicos.

Apesar de, por séculos, a América Latina não conhecer outro credo se não o católico, nos meados do século XIX esta muralha começa a ruir-se com as missões protestantes. Esta mudança faz surgir o problema ecumênico neste continente. Pois o mesmo não era considerado pagão, mas cristão. Entretanto, esta não era a mesma opinião das sociedades missionárias americanas, que discordavam da decisão da Conferencia de Edimburgo em 1910. Desde então várias iniciativas foram tomadas nesta direção, tais como: a criação e realização de congressos, comitês e organizações em toda a América Latina. Particularmente no Brasil o ecumenismo tomou características peculiares como a existência de várias organizações ecumênicas não oficiais. Na América Latina o ecumenismo se subdivide em histórico, evangélico e pentecostal, onde não só a igreja católica não participa tanto quanto as igrejas pentecostais.

Se ecumenismo for a proposta de se restaurar a unidade, a comunhão e a aproximação entre as igrejas de modo que a sociedade e o mundo sejam contaminados com esta unidade (Jo 17), isto sem relativizar a verdade e sem aniquilar identidades; creio ser esta a mesma proposta-oração de Jesus. Portanto, por ele devemos buscar, agir e esperar.

 Adriano Moreira

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