VULNERABILIDADES DA ALMA

Sl 73

A alma do homem pode enfrentar desafios, angústias, perplexidades, crises e sentimentos que podem torná-la vulnerável. Asafe foi um dos principais cantores de Israel. É muito provável que ele tenha até mesmo fundado uma escola particular de composição de salmos. Sua idade devia oscilar entre os 60 e os 70 anos quando escreveu o Salmo 73. Mesmo desde novo como levita, sua fé estava oscilante. Ou seja: sua alma estava vulnerável apesar de sua fé.

Uma alma fica fragilizada quando apresenta inconstância (v.2). Ele não se sentia seguro ante a realidade à sua frente. Outro elemento fragilizador da alma é a inveja (v.3a). A inveja é sempre uma ma­nifestação de admiração que se dissimulou. A inveja-adoradora é uma adoração-invejosa do e contra o outro. Se ela existe no coração do homem, antes de ter-se dege­nerado no sentimento mesquinho que a caracteri­za, houve uma admiração que ameaçou sua segu­rança e, daí, surgiu a inveja. Asafe ainda possuía uma visão errada da vida (vs.4-10). Ou seja: Pensar que o homem sem Deus está bem, cf. Pv 27.8; achar que o homem pode se esconder de Deus, cf. Hb 4.13 e acreditar que o homem sem Deus está seguro, cf. Sl 104.27-29.

Além destas três coisas fragmentadoras da alma, Asafe tinha uma visão errada de si mesmo, uma autojustificação (vs.13,14). Como Asafe, as vezes pensamos que a vida de santidade é vã, v.13 e acreditamos que o sofrimento é um castigo divino, v.14. Por conta deste processo despedaçador da alma de um levita a perturbação e o azedume (vs.16,21,22) foram inevitáveis. Não há como a alma não azedar-se! Por isso muitas vezes sofremos de doenças psicossomáticas, v. 21 e nos tornamos amargos, embrutecidos, ignorantes e irracionais, v.22. Outra questão impressionante e inevitável neste cenário é a manifestação do vício da comparação (v.3), tão presente em dilemas da vida. Normalmente faz-se comparação com a saúde do outro, v.4; com o conforto do outro, v.5 e com o sucesso do outro, vs.5,12. Consequentemente faz nascer o espírito competitivo (vs.12,13).

Como todo o salmo que expõe os dilemas da alma, este também apresenta a cura para estas vulnerabilidades. Aqui está a chave deste salmo: “até que entrei no santuário”. O santuário é intimidade com Deus, é comunhão com Deus, é a presença de Deus. Deus é meu tabernáculo! Eu sou tabernáculo de Deus! No santuário entendo que a minha visão da vida está errada, vs.18-20,27; que Deus está segurando em minha mão direita, v.23; Is 41.10; que Deus está me guiando com o seu conselho, v.24; Sl 32.8; que Deus é minha maior riqueza, v.25; que Deus é meu maior prazer, v.25 e que Deus é minha fortaleza, v.26; Sl 46.1; 28.8; Fp 4.13. No santuário renovo meu desejo de Deus e a minha confiança nEle, v.25b,28.

Entre no santuário de comunhão, intimidade, adoração, humilhação, arrependimento para com Deus e deixe-se envolver pela glória do Deus do santuário e seja curado na alma. Pois, como estiver sua alma, estará seu sentimento (Mt 15.8); estará sua atitude (Fp 2.3); estará sua saúde (3 Jo 2); estará sua espiritualidade (Rm 12.2).

Adriano Moreira

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